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03/07/2018
Altamente nutricionais, as PANC ganham destaque na merenda escolar da EMEF Guerreiro Lima

Quais são seus hábitos alimentares? Quais as diversificações de verduras e hortaliças que você ingere? São só as comercializadas nos supermercados que vão para a sua mesa? Muitas plantas são denominadas "daninhas", "inços" ou “plantas do mato”, mas são alimentícias, com mais nutrientes do que as vendidas no mercado.  Essas são as PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais), menos conhecidas pela maior parte da população. As PANC são aquelas plantas que podem ser encontradas no quintal de casa e não as comemos porque não sabemos que elas podem, sim, ser consumidas. Elas faziam parte da alimentação no passado, mas foram substituídas por alimentos com maior interesse comercial ao longo dos anos. 

Mas na EMEF Guerreiro Lima, localizada no Loteamento Belo Horizonte, no limite entre Viamão e Alvorada, a realidade é outra. O projeto de trabalhar com as PANC e aproveitar todas as espécies existentes no pátio da escola e da região iniciou em 2015, com as turmas de 8º e 9º ano. Dente de Leão, bertalha, azedinha, peixinho, ora-pro-nóbis, feijão olho de cabra, feijão guandu, entre outras plantas, são cultivadas, colhidas e inseridas na merenda escolar.  Entretanto, nem todas as plantas nós podemos comer. Algumas precisam de estudos para serem aproveitadas.

“É o resgate do passado, onde se aproveitava todas as plantas e ervas existentes no quintal. Em Viamão isso ainda é possível, por predominar as residências horizontais, com quintais. Em 2017, foram as turmas dos 7º e 8º anos que coordenaram o projeto. Em 2018, a Escola entrou para o projeto de expansão das Escolas Inovadoras Aurora, que é desenvolvido no município desde 2013, em parceria com a Fundação Telefônica Vivo, com o projeto Eco-Saberes – Criando hortaliças pedagógicas”, explica a vice-diretora e coordenadora pedagógica, Fernanda Bittencourt.

O objetivo, de acordo com o professor de ciências, Leandro Martins, é que os alunos se apropriem das técnicas e levem para as suas casas o cultivo, a compostagem e insiram na dieta uma alimentação mais saudável e acessível, mudando os hábitos de consumir alimentos prontos, para os naturais. De acordo com a nutricionista da Secretaria Municipal de Educação (SME), Regina Azevedo, a ideia é levar o projeto para todas as escolas municipais. “Esses alimentos são mais ricos em nutrientes dos que os vegetais convencionais encontrados no supermercado. Além disso, por se encontrarem na região, não necessitam de produtos químicos para se desenvolverem”, destaca Regina.

Hora da merenda

Baião de dois tropeiro, feijão refogado, farofa com o coração da bananeira, peixinho (folha) empanado, arroz e guizado com folha de ora-pro-nóbis. Hum, esse foi o cardápio da merenda no dia 25 de junho, quando a Medical TV, de Caxias do Sul, foi fazer uma reportagem. O youtuber Camilo Pedrollo e a nutricionista, com Mestrado em Fitotecnia pela UFRGS/Agronomia, Irany Arteche, também estavam presentes.

“Três vezes na semana a merenda é uma refeição com PANC cultivada no pátio da escola”, explica a diretora da EMEF Guerreiro Lima, Fernanda Silva. O projeto Eco-Saberes é trabalhado com todas as turmas, desde o Jardim I até o 9º ano. “As crianças são alfabetizadas conhecendo as plantas pela letra do nome. Ex. A letra A, de Almeirão do Campo. A turma é levada até onde se encontra a planta. Olha, pega, cheira, conhece seus nutrientes. E assim por diante.”

Leandro Martins ressalta que na horta são cultivadas as plantas convencionais e as PANC. Para o segundo semestre será feito um laboratório para germinação das mudas para que as mesmas possam ser distribuídas entre os estudantes e levadas para o cultivo em casa. “Há uma grande quantidade de crianças com sobrepeso na escola e a introdução de uma alimentação saudável faz com que os alunos aprendam a valorizar os alimentos ricos em nutrientes, deixando de lado os industrializados”, ressalta o professor de ciências.

Raquel Bittencourt Machado é professora alfabetizadora e está há oito anos na escola. Ela explica que a sustentabilidade é trabalhada desde cedo, sendo inserida na rotina deles. “O resultado é eles levando essa rotina para casa e inserindo esses novos hábitos na família. Aprendem a aproveitar alimentos, cascas, fazer compostagem, guardar e aproveitar a água da chuva, fazer a separação do resíduo seco. Até o lanche que elas trazem têm uma cobrança de uma criança para outra, se é saudável ou não.”

A estudante do 1º ano, Sophia, 6 anos, aguarda ansiosamente pela merenda salgada, para experimentar novos vegetais. “Adoro as PANC, mas é só aqui que eu como isso. Em casa, minha mãe não faz. Eu queria que ela fizesse, mas ela não sabe fazer”, lamenta.

Fernanda de Lima, mãe da Manuela, 6 anos, 1º ano, conta que teve de mudar toda a alimentação da família por insistência da menina. Manuela está na Guerreiro Lima há três anos, desde o Jardim 1. “Ela se interessa pelo alimento saudável e não come se não tiver salada no prato. Também adora frutas como sobremesa. Em casa, ela guarda as sementes das frutas que come para plantar, ajuda a regar a horta e guarda as cascas para fazer a compostagem. A Manu ainda ajuda o vô a cuidar do quintal e das árvores”, expressa Fernanda.

A nutricionista Irany explica a função das PANC na merenda servida no dia da visita. “O coração da bananeira é rico em sais minerais e possui baixa caloria. É muito bom em farofa. O ora-pro-nóbis é o introdutório do verde na alimentação. Não possui gosto e a folha murcha, criando um bom paladar. É o resgate do saber tradicional, dos nossos antepassados, quando não existia a mercadoria pronta para ser consumida e sim cultivada no quintal de casa”, comemora.

Irany disse estar muito feliz em ver as crianças vivenciando o mundo a partir da natureza, suas maravilhas e responsabilidades, e não a partir dos encantos consumistas dos shoppings centers. “Uma escola que tem feijão guandú plantado, que produz feijão olho de cabra e serve na merenda. Uma escola onde as crianças (por convicção) não consomem refrigerante e reciclam tampinhas trazidas de casa. Uma escola onde as PANC já existem e coleta-se pimenta rosa e compartilha-se o fruto da Costela de Adão na sala dos professores. É uma escola que aproxima as pessoas em torno de uma alimentação saudável e é um privilégio vivenciar isso!”

De acordo com Irany, são cerca de 3 mil espécies de plantas comestíveis estudadas. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, foram encontradas e catalogadas pelo biólogo e professor Valdely Kinupp, 312 espécies alimentícias nativas, que representam 3,5% da superfície do Estado.

 

 
 
 
 
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