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07/01/2019
CRM comemora zero mortes por feminicídio em 2018

“Estamos muito felizes! Nenhuma vida foi perdida por feminicídio em 2018 graças ao trabalho em rede que é desenvolvido aqui no município. No Centro de Referência de Atendimento às Mulheres (CRM), que completou um ano no dia 27 de dezembro, realizamos o acolhimento e a encaminhamos para a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) para que ela registre a ocorrência. Se houver risco de morte registrado no BO, ela recebe medida protetiva, ou seja, fica sob a responsabilidade do Município”, ressalta a gestora da Coordenadoria da Mulher, Karen Castro Preuss.

Estatísticas apontam que 12 mulheres são assassinadas todos os dias, no Brasil. Em 2017, foram 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. De acordo com a Lei, o feminicídio é um crime cometido contra as mulheres, em ambiente familiar e doméstico, ou quando há menosprezo e discriminação. A mulher que sofre violência de gênero pode procurar ajuda na Rede – Deam, CRM, Promotoria de Justiça, Defensoria Pública, Ministério Público, Cras, Creas, CAPS, UBS, Hospital e UPA 24 horas. Ela será atendida e orientada, de acordo com as suas necessidades.

Segundo a delegada da Deam, Jeiselaure de Souza, em 2017, foram registrados três feminicídios e 2.762 ocorrências. Em 2018, o número de registros de ocorrências chegou a 3.099, envolvendo também violência a menores de 18 anos, mas não houve nenhum feminício. “Isso deve-se ao cuidado em rede e a abrigagem pelo município nos casos eminentes de mortes”, assegura Jeiselaure. O CRM registrou 18 abrigagens em 2018 e 232 novos atendimentos. Destes, 47 usuárias tiveram acompanhamento psicológico, somando 560 atendimentos no ano. “Dos atendimentos que fizemos, a violência psicológica lidera o ranking, seguida pela violência física, sexual, patrimonial e moral. Temos o Espaço da Mulher, que é o local onde as mulheres que saem de casa só com a roupa do corpo, encontram roupas para si e para seus filhos menores. Procuramos um local seguro para essas mulheres junto de seus familiares, mas se isso não é possível, ela passa a noite no abrigo de mulheres”, explica Karen.

Jeiselaure explica as circunstâncias em que as mulheres procuram o atendimento da Deam. “No Brasil, a média de tempo para as mulheres procurarem uma delegacia e denunciar ainda é 8 anos. Isso é muito tempo. Aqui na Deam nós temos vítimas que ainda nos procuram e relatam que sofrem violência doméstica há 30 ou até 40 anos. Às vezes, elas deixam sua integridade física em segundo plano, sofrendo a violência do parceiro, criam seus filhos e netos e só depois é que chegam até nós”, relata a delegada.

A Deam realiza palestras em escolas com o objetivo de que as famílias entendam que não é natural viver num ambiente de violência doméstica. “Nossa ação nas escolas tem contribuído com o aumento do número de denúncias e ocorrências de violência doméstica contra a mulher e o vemos com bons olhos, pois isso significa que as mulheres estão procurando mais a delegacia para denunciar os casos de ameaças”, finaliza Jeiselaure.

Histórias de quem não ficou calada (os nomes serão trocados para as vítimas serem preservadas):

         Maria Paula sonhava com seu príncipe encantado. Um dia conheceu José Paulo e logo se apaixonou. Ele era trabalhador, fazia questão que ela não trabalhasse e que ele sustentasse a casa. Maria via apenas um defeito em José: ele se irritava fácil e acabava sendo violento. Mas, isso, Maria achava que podia controlar. Casou-se com ele e descobriu que seu marido fazia uso do álcool e outras drogas, o que o deixava mais violento, inclusive com golpes de agressão. Gravidez, filhos, nada o fazia mudar e as agressões só aumentavam. Maria teve sua face deformada em virtude de tantos socos e pontapés, até que um dia disse a si mesma que bastava. Ela precisou ir para um abrigo, receber cesta básica para sustentar a si e aos filhos por três meses e conseguiu um emprego. O ex-marido foi preso por quatro vezes. Ela viveu um inferno por 17 anos. Agora faz 10 anos que está vivendo sozinha, com os filhos, e agradece a Deus e a todos que a ajudaram a dar um basta àquela situação.

         Maria Cecília, aos olhos dos outros, tinha um casamento perfeito. Em casa não faltava nada para ela e seus filhos. Como Maria Paula, ela não precisava trabalhar fora e tinha tudo do bom e do melhor em sua casa. Em troca, ela só não podia receber ninguém enquanto ele não estivesse em casa, não podia abrir as janelas ou sair de casa. Um tipo de prisão domiciliar... Quando decidiu dar um basta, começaram as ameaças de morte para intimidá-la. Mas, Maria Cecília não se calou e procurou ajuda no CRM e registrou ocorrência na Deam. Ela conta que não foi fácil, pois teve que abrir mão de tudo. “Hoje, estou muito feliz por estar livre. Estou me amando por isso!” Maria Cecília está livre há dois anos e encerra dizendo que as mulheres têm que buscar apoio e se fortalecer junto a outras mulheres.

         Maria Eunice também entrou com denúncia da Lei Maria da Penha, mas não contra seu companheiro e sim contra seu filho. Usuário de drogas, o filho torna-se violento quando a mãe nega-lhe dinheiro para comprar drogas. Faz ameaças e a bate. Isso fez com que Maria entrasse, mesmo sentindo-se envergonhada com a situação, com pedido de medida protetiva e mudasse de endereço. Mas ela sofre com isso porque quer que o filho mude e precisa ficar afastada dele.

Para quem está de fora, os sentimentos são muito claros e é fácil fazer escolhas. Mas quem convive com o inimigo dentro de casa sabe que o medo, o amor pelos filhos, fazem ser maior que a coragem de dar um basta. E essa situação é muito mais comum do que se imagina. Então, se você conhece alguém que passa por essa situação, estimule-a a procurar ajuda e a denunciar. Hoje, existem vários serviços para amparar as mulheres que sofrem violência de gênero.

 

Denuncie:
 – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) – rua Coronel Mário Antunes da Veiga, 7, Centro. Telefone: 3435.9150.  Também é possível ligar gratuitamente para o número 180, de qualquer lugar do Brasil, ou chamar a Brigada Militar pelo 190, em caso de flagrante.

Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRM) – rua Mário Antunes da Veiga, 135, Centro – telefone: 3446.6301.

 

 
 
 
 
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