------------- Secretaria da Saúde - Unidades de Saúde
Pólo Base de Saúde Indígena
Ações contra desnutrição infantil e anemia no Pólo Base de Viamão
Entre crianças indígenas, a desnutrição é a principal doença nutricional e está relacionada diretamente aos elevados índices de mortalidade infantil.
Da mesma forma, anemia afeta crianças e mulheres em idade reprodutiva. O Pólo Base Viamão (PBV), Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI) atua em 8 municípios do RS, assistindo 600 Guarani em 13 aldeias e acampamentos. Este trabalho objetiva relatar experiência da EMSI no combate a desnutrição e a anemia. Levantamento realizado em 2004, evidenciou prevalência de 38% de crianças com desnutrição e risco nutricional. Então, desnutrição e anemia foram incluídas como prioridades no planejamento 2005 e 2006. Foi realizada avaliação das ações contra desnutrição e anemia já desenvolvidas e elaborado um plano de ações. Já foram realizadas: Capacitação e Conscientização da EMSI com a realização de seminários; Cadastramento da população adscrita; Realização de oficinas nas aldeias com apresentação dos dados de prevalência da desnutrição, ouvindo a percepção das comunidades indígenas; Apresentação da situação nutricional das comunidades indígenas nos Conselhos Municipais de Saúde; Aferição das balanças antropoméricas; Articulação com instituições governamentais,ONG`s e Universidades para desenvolvimento de projetos; Inclusão do PBV no Programa Criança Sem Anemia no RS; Assessoria técnica no Projeto Iniciativas Comunitárias; Aquisição de Hemoglobinômetro; Realização de mutirão para avaliação antropométrica, aplicação de questionário sobre hábito alimentar e verificação do índice de hemoglobina nas crianças de 0 a 12 anos, gestantes e puérperas; Apresentação do plano de ações e resultados às lideranças nos Conselhos Locais de Saúde Indígena. Foi previsto para segundo semestre de 2006: Efetuar avaliação médica e acompanhamento das crianças implementando ficha específica de puericultura; Coletar ferritina sérica e hemograma para avaliar prevalência de anemia ferropriva; Discutir profilaxia e tratamento para anemia em populações indígenas; Realizar oficina para devolução dos dados analisados e discutidos. A priorização de ações educativas, preventivas e de diagnóstico da desnutrição e da anemia, respeitando a especificidade cultural e articulando ações de forma intersetorial, são fundamentais para diminuir a morbimortalidade e número de internações hospitalares, melhorando, assim, a qualidade de vida da população indígena.
Vacinação na população Guarani do Pólo Base de Viamão
6 anos de conquistas
No ano de 2000 foi criado o Pólo Base Viamão, Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI), primeira referência à saúde de 600 Guarani, distribuídos em 13 aldeias e acampamentos em 8 municípios do Rio Grande do Sul. O presente trabalho objetiva relatar a experiência de 6 anos no Programa Nacional de Imunização. Anteriormente à criação da EMSI, as vacinas eram realizadas de forma esporádica, sendo a cobertura vacinal desconhecida.
A partir da criação da equipe foi realizado um plano de ações com coleta de dados sobre a situação vacinal por meio de busca ativa, contatos com unidades de saúde e FUNAI. Durante a busca ativa, observou-se que: algumas aldeias não aceitavam vacinas, as crianças só recebiam vacinas (KUTU), após permissão de NHANDERU, o Deus dos Guarani; a maioria dos indígenas extraviaram os registros vacinais. Após coleta dos dados e verificação da cobertura vacinal abaixo das metas, as imunizações tornaram-se prioridade para a EMSI. Foi estabelecido planejamento com a realização de oficinas explicando a importância das vacinas, suas rotinas e quais doenças previnem; estabelecida rotina com busca ativa; fornecido o registro vacinal para cada indivíduo e cartão espelho para a equipe. O desenvolvimento de vínculo e a realização das oficinas de forma sistemática foram fundamentais para a melhor compreensão da cultura Guarani e para que a comunidade desmistificasse a vacina. A característica itinerante da população Guarani dificulta o alcance da cobertura vacinal adequada. Então, foi desenvolvida rotina de intercâmbio de cartões espelho entre outras EMSI. Resultado de um trabalho desenvolvido com perseverança e dedicação, hoje, é possível observar alta cobertura vacinal, busca ativa mensal, realização de relatório trimestral, seminários internos, atualização em sala de vacina e capacitação dos Agentes Indígenas de Saúde. O trabalho de vacinação é reconhecido e valorizado pela população Guarani, que identifica o registro vacinal como documento. Os nascimentos são comunicados por telefone para agilizar a realização da vacina do recém-nascido. O estabelecimento de vínculo foi possível pela baixa rotatividade dos profissionais, alguns há 6 anos na EMSI. O alcance das metas vacinais pactuadas é fundamental para diminuir a incidência de doenças imunopreviníveis. Assim, a qualificação das estratégias de imunização é prioridade no Pólo Base Viamão.
Avaliação de Assistência pré-natal nas aldeias Guarani do Pólo Base Viamão
A redução das taxas de morbimortalidade materna e perinatal dependem, significativamente da assistência pré-natal.Tendo em vista a importância e escassez de estudos sobre assistência pré-natal em mulheres indígenas e que o conhecimento da nossa realidade pode auxiliar na qualificação do trabalho, este estudo objetiva descrever a logística e avaliar a assistência pré-natal. A equipe de saúde percorre 13 aldeias e acampamentos indígenas em 8 municípios do RS, assistindo 600 Guarani. Foi realizada a descrição logística da realização do pré-natal e avaliada uma amostra de 100% dos pré-natais das gestantes que tiveram parto no período de 01 de junho/2005 a 01 junho/2006. Os dados foram coletados a partir da revisão de 32 prontuários.
Os resultados revelaram que 28,1% das gestantes tinham entre 13 e 17 anos, 65,6 % entre 18 e 34 anos e 6,2 % tinham 35 anos ou mais. A média de gestações foi de 3,3 por mulher; 50% das gestantes realizaram a 1º consulta nas primeiras 16 semanas, 34% entre 17 e 28, e 12,5% com 29 semanas ou mais.
Uma mulher (3,1%) não fez o pré-natal, 46,8% realizaram de 1 a 3 consultas, 43,7% de 4 a 6 consultas e 6,3% tiveram 7 ou mais. Os exames de rotina foram realizados por 93,7% das gestantes e as ecografias obstétricas, por 53,1%; 87,5% apresentaram cobertura adequada para vacina antitetânica; 90,6% foram partos normais; 59,3% foram partos domiciliares enquanto 40,7% foram hospitalares. Concluímos que o perfil itinerante, a diferença na língua e o sistema de crenças tornam a assistência Pré-Natal indígena bastante diferenciada da população não índia. A equipe de saúde realiza consultas na própria aldeia através de busca ativa e visita domiciliar. O início tardio do pré-natal, por motivos culturais, interferiu no nº de consultas, pois 46,5% das mulheres só permitem iniciar o pré-natal após 17 semanas de gestação. Assim, persistimos com um percentual elevado (46,8%) de gestantes com menos de 4 consultas. A realização das coletas de sangue e urina na reserva colaborou para o alto índice de realização dos exames de rotina (93,7%). Constatamos ainda que as mulheres procuram conservar suas tradições, a maioria opta pelo parto normal e domiciliar, sendo encaminhadas para o hospital as gestantes de risco e as que moram em aldeias onde não há parteiras.
Endereço
Rodovia Tapir Rocha, 5412 - Parada 44 - 2º andar - São Lucas