----------------------Grupo de Trabalho Anti-Racismo

 

Abertura oficial da Semana da Consciência Negra

A abertura oficial da 11ª Semana da Consciência Negra ocorreu no sábado, dia 14, no Santuário Ecológico Oxóssi das Matas – Sentinela de Oxalá, na estrada do Jaconi.

Às 10 da manhã começaram as palestras, que se estenderam ao longo do dia. Os palestrantes Júlio César Ferro, escritor e estudioso das religiões umbanda e africana, e Anna Sheiffe e Manuel Anatalio da Silva, umbandistas, falaram sobre a religião, que é a única genuinamente brasileira.
Os representantes do GTA (Grupo de Trabalho Anti-Racismo) Magno Castro, também coordenador da Semana da Consciência Negra; Karla Rennée, da Secretaria de Cidadania e Assistência Social; Rodrigo Costa, da Coordenadoria de Relações com a Comunidade; e Cláudia Soares, da Secretaria Municipal de Educação, também estavam presentes no evento.

A Semana da Consciência Negra deste ano presta uma homenagem aos 100 anos da umbanda brasileira, e o dia oficial da consciência negra é 20 de novembro.
Logo após o término das palestras, os participantes seguiram para o largo Glênio Peres, em Porto Alegre, onde ocorreu a abertura da 15ª Semana Umbandista e Africanista da Fundação Moab Caldas. Os representantes do município foram buscar a Chama Cívica Religiosa, e a trouxeram pela primeira vez a Viamão.

A chama se encontra no templo Guerreiros da Luz – Oloyá.
A Semana da Consciência Negra acontece até o dia 23 de novembro. Hoje, 18/11, às 9 horas, ocorre palestra no Centro Profissionalizante Walter Graf, com profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, sobre a saúde da população afro-descendente e, às 14 horas, a palestra Movimento Negro no Rio Grande do Sul, com acadêmicos do curso de história.
Amanhã (19/11), acontece a exposição “Recontando a história da África”, do artista plástico Júlio Rodrigues, na escola Canadá.

Por Vanessa Freitas
A cultura afro resgatando os seus valores
Na terça-feira (20/11), aconteceu no Calçadão Tapir Rocha, a “Acampação da Cultura Negra”, referente à 10ª edição da Semana da Consciência Negra, promovida pelo Grupo de Trabalho Anti-racismo (GTA). O objetivo do evento foi mostrar a musicalidade do artista negro e tudo o que é relacionado à afrodescendência.
Apresentaram-se os grupos: Tática do Samba, Impacto Dance e Garra Brasil, cada um expondo traços da cultura negra. O primeiro a apresentar-se foi o estudante Michel Padilha, que cantou músicas da MPB. Segundo ele, a Acampação mostra a história do negro, além de permitir que se descubram novos talentos.
Outro grupo que participou do evento foi o Abada Capoeira, coordenado pelo professor Vanderlei Ferreira Fraga, mais conhecido como professor Capenga.
De acordo com a diretora-geral da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social e coordenadora do GTA, Karla Renée Machado, o evento visa fortalecer internamente as políticas para a população afrodescendente, apoiar as iniciativas das entidades que fazem trabalho em cursos e oficinas, além de desmistificar a cultura negativa que se tem sobre os negros. “É um espaço não só de capacitação, mas de troca de experiências”, disse Karla.
O coordenador dos eventos populares da Secretaria Municipal de Cultura e Esporte e coordenador da Acampação, Magno Castro, colocou que o evento resgata a cultura negra, promovendo o reconhecimento de toda a história. “É o consagramento de quem lutou pelos seus direitos, de lembrar que todo mundo é gente”, finalizou Castro.
Anemia Falciforme em pauta na Semana da Consciência Negra
A anemia falciforme é uma doença que atinge principalmente a população afrodescendente, pois a alteração genética que a determina é decorrente de mutações ocorridas há milhares de anos, predominantemente no continente africano. A 10ª Semana da Consciência Negra trouxe, dia 23, a bióloga e enfermeira do Hemocentro de Porto Alegre, Ivone Soares, para falar dos seus estudos sobre essa doença.
De acordo com pesquisas internacionais, a doença atinge a hemoglobina do organismo humano, fazendo com que os glóbulos vermelhos percam a elasticidade, tornando-se rígidos e com formato de “foice”.
“Dessa maneira, as hemácias agregam-se e obstruem a passagem do sangue nos pequenos vasos, causando microenfartos em diferentes partes do corpo.
Como a doença é genética ainda não há uma reversão. A pessoa, não sendo devidamente tratada, pode ter alto índice de limitação durante a vida”, explica Ivone.
O diagnóstico é feito no neonatal, através do teste do pezinho. Porém, a doença é só detectável dos 3 aos 7 dias de vida do bebê. Por esse motivo, esse exame é fundamental para começar um bom tratamento, caso a criança seja portadora. A doença é perigosa e silenciosa, se desenvolvendo com crises dolorosas e intensas, principalmente nas grandes articulações, retardo de crescimento, atraso puberal, infertilidade, derrames cerebrais, úlcera na perna entre outras manifestações. No início ela pode ser confundida como uma simples dor, medicada com um analgésico, levando, lentamente, a outras complicações por que não foi adequadamente tratada.
No Brasil, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 25% dos portadores de anemia falciforme não atingem os 5 anos, e, 70 % terão óbito antes dos 25 anos. O tratamento para os portadores é alimentar-se de forma equilibrada, ingerir bastante líquido e agasalhar-se de acordo com a temperatura. A vacina de anti-hepatite B, disponível nas unidades básicas de saúde, e as vacinas de antipneumococo e anti-hemofílus devem ter um cuidado especial. Há também um tratamento contínuo para o controle da doença e um dos medicamentos mais usados é o ácido fólico.
Cultura afro no cinema
O último dia da 10ª Semana da Consciência Negra debateu a cultura dos afrodescendentes no cinema. O evento realizou-se na tarde de sexta-feira, dia 23, no Teatro Municipal André Ribeiro Cancella. Segundo a diretora-geral de Cidadania e Assistência Social e coordenadora do Grupo de Trabalho Anti-racismo (GTA), Karla Renée Machado, o objetivo do encontro foi provocar um debate através de documentários e filmes que mostram a discriminação racial, principalmente quando a intelectualidade do negro não é valorizada.
Os alunos das 6ª e 7ª séries da escola municipal Dom Diogo de Souza, professores e a comunidade em geral, que prestigiaram o evento, assistiram ao filme “Prova de Fogo”, que identifica momentos da discriminação racial entre negros e brancos e entre os próprios negros. A coordenadora do GTA, também disse que os alunos assistiram ao documentário de Pierre Verger “Mensageiros entre dois mundos”. “O filme compara a cultura da Bahia e dos povos africanos, mostrando o encantamento de Pierre Verger com a religiosidade dos povos”, relatou.
De acordo com o membro do GTA e da Coordenadoria de Relações com a Comunidade (CRC), Rodrigo Quadros, a análise da 10ª Semana de Consciência Negra é muito produtiva. “As pessoas pararam para repensar a questão do povo negro. Fizemos capacitações e debates para instigar a sociedade a repensar sua postura perante a cultura afro”, afirmou.
A professora da escola municipal Dom Diogo de Souza, Tatiane Caleffi, disse que as pessoas precisam se conscientizar para aceitar e respeitar o negro. “A partir do momento que a sociedade assume que o racismo existe, já começam as mudanças”.
Semana da Consciência Negra discute justiça para a juventude
A 10ª Semana da Consciência Negra trouxe os palestrantres Adailton Ferreira, antropólogo e coordenador estadual do Fórum de Juventude Negra, e Jorge Cruz, promotor do Encontro Nacional da Juventude Negra (Enjune), para relatarem as políticas públicas para a juventude aos alunos e professores da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom Diogo de Souza.
Segundo Ferreira, a pele escura foi transformada em sinônimo de escravidão, ao longo da história. “Os povos africanos colonizados tinham muita riqueza e não havia fome. A educação européia que recebemos não relata tudo o que a comunidade negra perdeu em suas terras e o que teve que se submeter”, explica.
Para a professora da Escola Dom Diogo de Souza, Mayara Dornelles, muitas pessoas negras, por causa desse histórico, negam a sua negritude e se sentem inferiorizados. “Nem sempre há preconceito, pois, em muitos casos, é o próprio negro que não se valoriza”.
Algumas das Realizações
Curso de Culinária Afro
Conferência sobre a Igualdade Racial
Jornada da Cultura Afro
Lançamento do livro Educação sem Discriminação
 
Educação sem Discriminação
É urgente e necessária a capacitação dos professores para que seja possível cumprir a Lei 10.639/03 que torna obrigatória a inclusão do ensino da história da cultura afro-brasileira no currículo oficial da Rede Municipal de Ensino.
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